segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Geografia - Japão Textos

JAPÃO E TIGRES ASIÁTICOS


1 - JAPÃO

Introdução:

Localizado no Extremo Oriente, o Japão está numa posição mais a leste da Ásia. Ele é formado por um arquipélago integrante do “círculo de fogo” do Oceano Pacífico, área onde há o encontro de placas tectônicas. Isso explica a existência de vários vulcões ativos em atividade naquele território, bem como a freqüente ocorrência de maremotos e terremotos.
Com 377748 km2, o país é formado por um conjunto de aproximadamente quatro mil ilhas. As quatro maiores e mais importantes dessas ilhas correspondem a 97% do território japonês. São elas: Hokkaido, Honshu, Shikoku e Kiushu. Nesse espaço relativamente reduzido (pouco maior que o Estado de São Paulo e com amplas extensões montanhosas – cerca de 80% da área total) a população estimada em 2003 é de 127,3 milhões de habitantes. Esse fato explica a existência de elevadas densidades demográficas no país.


O Japão é, atualmente, a segunda maior economia do planeta. No entanto, foi arrasado da mesma forma que a Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Em menos de três décadas, o país emergiu das cinzas da guerra para o segundo posto na hierarquia econômica mundial, sendo superado apenas pelos Estados Unidos.

b) Processos históricos e geopolíticos da industrialização japonesa:

Embora os japoneses mantivessem um pequeno comércio com os portugueses e os holandeses desde o século XVI, quando os norte-americanos aportaram no Japão em 1853, eles encontraram um país feudal e economicamente atrasado. Sob o regime militarizado do xogunato Tokugawa, o Japão permaneceu um longo tempo isolado. Embora o clã Tokugawa estivesse no poder desde 1603, foi a partir de 1636, sob o xogunato Iyemitsu, que o país viveu um período de reclusão. A partir de então, os estrangeiros foram proibidos de entrar no país e os japoneses de sair.
Tal prática vigorou por mais de dois séculos, até que os norte-americanos, tentando realizar seu projeto de geopolítico de controle sobre os oceanos, forçaram a abertura do país através do Tratado de Kanagawa, assinado em 1854. Essa abertura acelerou a desintegração do sistema feudal japonês e, em 1868, encerrou-se o domínio dos Tokugawas.
Fonte: SENE, E. & MOREIRA, J. Carlos. Geografia Geral e do Brasil: Espaço Geográfico e Globalização. Editora Scipione. São Paulo, 2002.

A Era Meiji (1868-1912), como ficou conhecida, representou um período de grandes mudanças na história do Japão. Entre as mudanças, podemos citar: o fim da estrutura feudal; a criação de províncias submetidas à administração do poder central, em substituição aos feudos; a obrigatoriedade do ensino do ensino primário; a implantação do serviço militar e a reestruturação das Forças Armadas segundo os modelos prussiano e francês; transferência da capital do país de Kioto para Edo, que recebeu o nome de Tóquio (“cidade oriental”); instituição da imprensa e de serviços postais; construção de estradas de ferro; fundação do Banco do Japão; eliminação da casta dos samurais; aprovação de uma constituição em 1889, que estabeleceu a divisão de poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) e designou o imperador como o chefe supremo do país.
Desejando acompanhar o desenvolvimento tecnológico do mundo ocidental, o governo japonês começou a investir na implantação de estabelecimentos industriais em todos os setores nos quais o capital privado não tinha condições de atuar. Posteriormente, algumas dessas indústrias foram vendidas a baixo preço a empresas particulares. A venda de algumas empresas estatais originou os zaibatsus, verdadeiros monopólios que tiveram um grande desenvolvimento entre as duas guerras mundiais, porque o governo japonês lhes proporcionou inúmeras vantagens e privilégios.
Os zaibatsus passaram então a dominar a economia do Japão, atuando em praticamente todos os setores industriais, além do comércio e das finanças, incorporando indústrias menores. Como resultado dessa política modernizante, o Japão viveu um vertiginoso processo de industrialização.
No decorrer de sua história, como estamos vendo, o país sempre se fechou à penetração estrangeira. Desse modo, não sofreu o avanço colonialista e imperialista europeu do século XVI ao XX. Tornando-se potência industrial no século XIX, o Japão lançou-se às conquistas imperialistas na Ásia, passando a competir com as potências industriais européias na tomada de territórios e na formação de colônias.
Da mesma forma que alguns países europeus, o expansionismo japonês tinha, pelo menos, dois objetivos:
1 – assegurar fontes de abastecimento de matérias-primas, por ser o país relativamente pobre em recursos minerais;
2 – conquistar mercados compradores para seus produtos industrializados.

A expansão iniciou-se com a vitória na Guerra Sino-japonesa (1894-1895), que garantiu a ocupação da Coréia e de Taiwan. Com a vitória na guerra contra a Rússia (1904-1905), os japoneses ocuparam as ilhas Sacalinas. Mais tarde, em 1931, ocupariam a Manchúria, parte do território chinês, onde implantaram em 1934 um Estado fantoche.


A charge demonstra o espírito guerreiro do Japão contra a Rússia, estimulado pela Inglaterra e pelos Estados Unidos, que tinham interesse em conter o expansionismo russo.





O governo militarista japonês alia-se à Alemanha e à Itália em 1940 e ocupa a Indochina francesa no ano seguinte. A expansão militar coloca o Japão em choque com os EUA. Em dezembro de 1941, os japoneses realizam um ataque-surpresa e destroem a esquadra norte-americana ancorada em Pearl Harbor, no Havaí. O Japão toma o sudeste da Ásia e a maior parte do Pacífico Ocidental, mas é derrotado pelas forças aliadas e retira-se das áreas ocupadas. A rendição só ocorre em setembro de 1945, após a explosão das bombas atômicas jogadas pelos EUA nas cidades de Hiroshima e Nagasaki.

c) A reconstrução japonesa no pós-Guerra:

Entre 1945 e 1951, o Japão conheceu a ocupação militar norte-americana. A nova Constituição, elaborada sobre a supervisão da potência ocupante, limitava os gastos militares a 1% do PIB e substituía as forças armadas por Forças de Autodefesas, com a atuação restrita ao arquipélago japonês.

O “milagre japonês”

O Japão, como a Europa, emergiu da Segunda Guerra Mundial arrasado. Sua estratégia de reconstrução envolveu dois elementos básicos: a formação de uma poupança interna e a conquista dos mercados externos. Ao contrário da Europa, a trajetória de reconstrução japonesa não dependeu de vultuosos empréstimos norte-americanos.
Os zaibatsu, que tinham sustentado o militarismo, foram legalmente dissolvidos. Contudo, sob outras denominações e figuras jurídicas, reergueram-se como conglomerados familiares monopolistas. A tradição da Era Meiji, de forte coesão entre as grandes empresas, os bancos e o poder político serviu de alicerce para a reconstrução do país.
O Estado, por meio do poderoso Ministério da Indústria e do Comércio Exterior, cercou os conglomerados de proteções e estímulos, de modo a reduzir a concorrência de empresas estrangeiras e assegurar a conquista de mercados externos. As noções de disciplina e fidelidade estruturaram as relações entre a força de trabalho e as empresas, sobre o alicerce da garantia de emprego vitalício. O governo encarregou-se de realizar significativos investimento em educação, formando trabalhadores e profissionais de elevada qualificação.
A capitalização dos conglomerados industriais apoiou-se no baixo custo da força de trabalho e na fragilidade do movimento sindical. Além disso, os conglomerados contaram com um imenso volume de poupança popular, garantido pela debilidade do sistema de previdência social e pela carência habitacional. Esses recursos foram canalizados para os investimentos empresariais através de grupos bancários que participam como acionistas, da direção dos conglomerados. O consumo reprimido transformou-se em capital e o capital, em tecnologia.
A conquista dos novos mercados apoiou-se numa política agressivamente exportadora, fundada na subvalorização cambial do iene: produtos japoneses deveriam ser baratos fora do Japão e produtos estrangeiros deveriam ser caros dentro do Japão. A força do dólar fez o resto. Na década de 1960, o Japão começava a registrar saldos positivos crescentes no comércio com os Estados Unidos. A manutenção de uma balança comercial em superávit tornou-se um traço estrutural do “capitalismo-fábrica” japonês.
A indústria têxtil, a siderurgia e a construção naval lideraram os primeiros tempos da reconstrução. Nas décadas de 1960 e 1970, esses ramos foram substituídos pela eletrônica de consumo e pela indústria automobilística. Pouco mais tarde, com o desenvolvimento da revolução tecnocientífica e informacional, a robótica, a informática e a microeletrônica passaram a funcionar como locomotivas do crescimento japonês.
Fonte: MAGNOLI, Demétrio e ARAÚJO, Regina. Geografia, A Construção do Mundo.
Geografia Geral e do Brasil. São Paulo: Ed. Moderna (2005).

Após a crise do petróleo de 1973, que mostrou a grande vulnerabilidade da economia japonesa em vista de sua dependência ao subsolo estrangeiro, esse país acelerou o seu programa de desenvolvimento de novas tecnologias e novas áreas industriais (até então, as indústrias estavam concentradas na ilha de Honshu). Para tanto, estimulou a implantação de vários tecnopólos em seu território. As maiores concentrações industriais localizam-se no litoral do Pacífico, entre as baías de Tóquio e Osaka. Essa área é responsável por cerca de 70% de toda a produção industrial do país.

Os choques de preços do petróleo exacerbaram os custos de produção no arquipélago e aceleraram a relocalização de investimentos. Os conglomerados industriais baseados na utilização intensiva de trabalho e de energia passaram a deslocar unidades produtivas para países vizinhos ao Japão, dinamizando as economias do leste e do sudeste asiático (como será visto com mais detalhes no próximo capítulo que trata do desenvolvimento industrial dos Tigres Asiáticos).

A megalópole mais populosa do mundo

A intensa relação entre Tóquio e Osaka, fruto de um processo de industrialização com forte intervenção do Estado, acabou por centralizar grande parte da atividade econômica naquela porção do território. Isso levou ao surgimento de uma megalópole – Tokkaido, no eixo Kioto-Osaka-Nagóia-Tóquio, onde se dá a maior concentração urbana do mundo contemporâneo. Ali vivem mais de 60% da população japonesa.
Tokkaido engloba várias planícies (inclusive a de Kanto), o que proporcionou uma grande concentração populacional naquela área, desde o início da rizicultura. Desde o início, o desenvolvimento industrial do Japão se concentrou na área ocupada por Tóquio, Nagóia e Osaka. Um dos resultados da intensificação industrial japonesa a partir dos anos 1950, foi a formação da megalópole. A área concentrou, de 1955 a 1973, as principais atividades industriais e terciárias da economia, levando o Japão a apresentar as maiores taxas de crescimento industrial em todo o mundo.
Fonte: Vesentini,J.W. & Vlach, Vânia. Geografia Crítica, volume 4. Editora Ática. São Paulo. 2004.



Um aspecto interessante, decorrente da própria limitação do território, é a atual arquitetura japonesa. A construção de pôlderes e represas ampliou os terrenos para uso industrial-urbano nas baías de Tóquio, Osaka e Nagóia. Mais recentemente, novas e avançadas tecnologias permitem a construção de arranha-céus e de galerias subterrâneas que estendem a vida econômica abaixo da superfície das grandes cidades.

O Japão ainda se destaca em relação à agricultura, embora apenas 15% do espaço sejam aproveitáveis para esta prática. O relevo montanhoso (cerca de 580 elevações com altitude superior a 2000m e mais de 200 vulcões ativos), o clima frio da porção norte do arquipélago (cerca de 200 dias por ano com geada e neve), a preservação das áreas florestais (67% do território recoberto por florestas originais e reflorestamento) e a expansão da indústria reduziram e encareceram as áreas cultiváveis, situadas nas planícies litorâneas do sul.
Após a Segunda Guerra Mundial, uma reforma agrária assentou2 milhões de famílias, tornando predominante a pequena propriedade, com alta mecanização e tecnologia. Os principais cultivos (arroz, legumes e frutas) destinam-se à alimentação, mas também há cultivos industriais como o chá e a amoreira.
A presença de correntes marinhas (OYA SHIVO, fria, e KURO SHIVO, quente) atrai cardumes para desova e favorece a pesca e a aquacultura (criação de ostras, camarões e algas). A indústria de beneficiamento do pescado e os pequenos estaleiros se espalham em torno das ilhas, embora os portos de Kushiro (em Hokkaido) e Hachinohe (em Honshu) exerçam o monopólio de tais atividades. O país dispõe da maior frota pesqueira do mundo.

d) O Esgotamento do “Modelo Japonês”

O “modelo japonês” de desenvolvimento, tão bem-sucedido dos anos 1950 até início dos anos 1990, parece ter se esgotado. Ele precisa de reformas urgentes para que o país volte a crescer. Basicamente, a economia japonesa precisa deixar de ser essencialmente para fora (para a exportação) e voltar-se para dentro, para o mercado interno.

A crise japonesa, anterior à crise asiática é de certa maneira, conseqüência do sucesso dos anos anteriores. O grande acúmulo de riquezas no país provocou uma crescente especulação com ações, levando a uma enorme alta na bolsa de Tóquio. Ao mesmo tempo, os bancos japoneses, que chegaram a ocupar as dez primeiras posições entre os maiores do mundo nos anos 1980 (em 2000 eram apenas dois), fizeram grandes empréstimos sem critério, principalmente para o ramo imobiliário, o que provocou uma grande especulação nesse setor. Os preços dos imóveis no Japão subiram exageradamente, transformando-se nos mais altos do mundo.
Essa bolha especulativa – financeira e imobiliária – estourou no início dos anos 1990. Os preços das ações e dos imóveis despencaram, fazendo a crise se propagar pela economia real. Os bancos, não tendo como receber dos devedores, não faziam novos empréstimos. Muitas empresas e instituições financeiras foram à falência, levando o país à estagnação econômica. Agravando esse quadro, a população, receosa com a crise, passou a poupar mais, reduzindo os níveis de consumo.
Fonte: SENE, E. & MOREIRA, J. Carlos. Geografia Geral e do Brasil: Espaço Geográfico e Globalização. Editora Scipione. São Paulo, 2002.



Embora esteja apresentando, nos anos 2000, dados que comprovam uma certa recuperação na economia, esses números encontram-se muito aquém dos índices registrados pelos japoneses durante boa parte da segunda metade do século XX.
Crise econômica abre vagas para mulheres

As mulheres conservaram papéis tradicionais na sociedade japonesa, apesar do desenvolvimento e da ocidentalização experimentados pelo país no pós-guerra. Depois de casadas, a grande maioria continuou vivendo como dona-de-casa. Mas essa realidade vem mudando desde o estouro da bolha especulativa, em 1991.
Entre 1987 e 2000, a proporção de casas cujo sustento depende de apenas um membro da família caiu de 37% para 27%. As mudanças culturais decorrentes também são importantes: uma pesquisa mostra que em 1987, 43% dos japoneses diziam concordar com a idéia de que "homens devem trabalhar e mulheres devem ficar em casa". Em 2002, a porcentagem caiu para 15%.
Os trabalhos reservados às mulheres ainda têm limitações. Como a maioria conserva seus afazeres domésticos, a saída é o emprego de meio período, adotado pelas empresas nos últimos anos para cortar gastos. Entre 1997 e 2001, 164 milhões de empregos em tempo integral desapareceram no Japão e 206 milhões em meio período foram criados – 90% deles ocupados por mulheres.
Fonte: Almanaque Abril 2005


2 - OS “TIGRES ASIÁTICOS”

Cingapura, Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong, os “Tigres Asiáticos”, apresentam características de países desenvolvidos. Possuem altas rendas per capita, uma distribuição social de renda não muito concentrada, elevada expectativa de vida, baixos índices de analfabetismo e de mortalidade infantil etc. Apesar disso, seria prematuro incluir esses paises no conjunto do Norte, pois eles não possuem instituições democráticas que lhes dêem estabilidade e padrão de vida elevado que caracterizam os países desenvolvidos.

Até há pouco tempo, os Tigres Asiáticos (com exceção de Hong Kong, que pertence à China) eram países de economias pobres governados por ditadores. Dependem, até hoje, muito dos outros países e do mercado externo – fundamental para as suas exportações. Ainda na década de 1960, os indicadores socioeconômicos dos Tigres eram semelhantes ou muitas vezes inferiores aos do Brasil, da Venezuela, do México, da África do Sul, da Colômbia e de outros países do Sul, mas nas últimas décadas conheceram sensíveis melhoras econômicas e até sociais.
Os Tigres Asiáticos fazem parte do conjunto dos denominados “Novos Países Industrializados” (NPIs), expressão geralmente utilizada para designar países do “Terceiro Mundo” que se industrializaram recentemente, ou seja, após a Segunda Guerra Mundial, diferenciando-se assim, dos países ou Estados que historicamente realizaram as revoluções industriais nos séculos XVIII, XIX e início do XX (Inglaterra, Japão, França, Alemanha, Estados Unidos, Rússia etc.). Os Novos Países Industrializados, abrangem um conjunto formado por Brasil, México, Argentina, África do Sul, China, Turquia, Índia, Indonésia, Tailândia, Malásia, Coréia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong.
A força de trabalho disciplinada, qualificada e inicialmente barata foi o incentivo para o crescimento dessas economias. Mas também outros fatores tiveram a sua importância, como os incentivos ao capital estrangeiro, a localização estratégica, o enorme esforço governamental para promover a industrialização gastando de forma eficiente os seus recursos etc.


Os Tigres Asiáticos tinham, diferentemente dos países latino-americanos e africanos, um modelo vizinho bem-sucedido. Seguiram quase integralmente os passos dados pelos japoneses. Além disso, beneficiaram-se de uma conjuntura mundial relativamente liberal, principalmente nos Estados Unidos, dispondo assim, de amplos mercados para colocar seus produtos. Converteram-se em verdadeiras plataformas de exportação. Suas exportações de bens industrializados (no início, tecidos, roupas, brinquedos, bugigangas eletrônicas, etc., e depois, nos anos 1980, aparelhos de videocassete, relógios à pilha, bicicletas, gravadores, aparelhos de televisão em cores, automóveis e até microcomputadores) vêm se multiplicando a cada ano, sendo consumidas principalmente na América do Norte e na Europa.
O investimento dos Tigres nesses ramos mais sofisticados da indústria apresenta um traço marcante na geografia econômica da região. Setores tradicionais estão sendo transferidos para outros países vizinhos, onde os custos da mão-de-obra são menores. Somando-se os investimentos japoneses (majoritários) com os de empresários dos Tigres Asiáticos, filiais vêm sendo construídas ao longo dos anos 1980 e 1990 na Tailândia, na Malásia, na Indonésia e nas Filipinas, sendo esses países conhecidos como os “novos Tigres”. Juntamente com os primeiros Tigres, esses países enfrentaram uma grave crise econômica em 1997, quando desvalorizaram as suas moedas.
Por terem um parque industrial consolidado e moderno, assim como a mão-de-obra qualificada e uma boa infra-estrutura, os Tigres continuam, atualmente, vendendo seus produtos a baixos preços no mercado internacional, devido à desvalorização de suas moedas. Com a superação da crise financeira, suas economias voltaram a crescer rapidamente.


A Coréia do Sul e os chaebols

A economia da Coréia do Sul é controlada por grandes conglomerados, denominados chaebols, a exemplo dos zaibatsus japoneses. Fabricam praticamente de tudo, desde aço e navios até produtos eletrônicos e automóveis, alem de atuar também no setor financeiro e no comércio. Os chaebols sul-coreanos cada vez mais colocam seus produtos pelo mundo afora e já começam a inovar em termos tecnológicos. Com a crise asiática, no entanto, muitos conglomerados tiveram problemas devido ao seu alto grau de endividamento. A Coréia do Sul sofreu um duro golpe, apesar de ser o maior dos Tigres, devido ao peso que os chaebols têm em sua economia.
Fonte: SENE, E. & MOREIRA, J. Carlos. Geografia Geral e do Brasil: Espaço Geográfico e Globalização. Editora Scipione. São Paulo, 2002.



A exploração da força de trabalho nos Tigres Asiáticos

A intensa exploração da força de trabalho, com jornadas prolongadas e férias remuneradas reduzidas é um traço marcante nos chamados Tigres Asiáticos. Na Coréia do Sul, a jornada de trabalho semanal é de cerca de 53 horas (cerca de 9 horas diárias, inclusive aos sábados); em Hong Kong, de 48 horas; em Taiwan, de 44; em Cingapura, de 41.
No Brasil, a jornada é de 44 horas semanais. Na Coréia do Sul, em Taiwan e em Hong Kong, o trabalhador tem direito a apenas 14 dias de férias remuneradas por ano; em Cingapura, esse direito é de apenas 7 dias, e só terá esse direito a 14 dias depois de completar 7 anos de trabalho dentro de uma mesma empresa.
Fonte: Adas, Melhem. Geografia: Os impasses da globalização e o mundo desenvolvido. Editora Moderna. 2002.

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