sábado, 29 de setembro de 2007

2° reinado parte 1

EVOLUÇÃO ECONÔMICA
A agricultura de exportação:

O café foi o motor da economia no período. Chegou ao Rio de Janeiro em torno de 1760. Em 1820 começou a ganhar importância como produto de exportação. Em 1831 já aparecia como produto principal. Em 1840 teve o início de sua hegemonia na economia agro exportadora (41,4% da pauta de exportações). Em 1850 ocorreu o auge da produção no Vale do paraíba. Esta produção se baseava nas características tradicionais da grande lavoura no Brasil: latifúndio, mão de obra escrava, baixo nível tecnológico (enxada e foice) e utilizando caminhos e trilhas já conhecidos. Já em 1825 houve a expansão para São Paulo.
Em 1870 já ocorre a decadência da produção do café no Vale do Paraíba. Em 1880 ocorreu a expansão e consolidação da agricultura cafeeira no Oeste paulista. No Oeste Paulista a produção de café teve algumas características diferentes: existência de melhores condições geográficas (terra roxa, mais disponibilidade de terras e clima); melhor nível tecnológico (a partir de 1870 aparece o uso do arado e o uso do despolpador); ocorreu a transição para o trabalho imigrante (com a promulgação da Lei Eusébio de Queiróz, que estabelece o fim do tráfico negreiro) e formação de uma burguesia cafeeira (grandes fazendeiros dedicaram-se a outras atividades econômicas, como o comércio, bancos, indústrias, ferrovias).
Porém devemos destacar que a velha distinção entre o “velho” e o “novo”, não era tão profunda, pois em ambas as regiões se praticava a agricultura extensiva e se utilizava a mão-de-obra escrava.
O açúcar sofreu com o aumento da produção antilhana, com o açúcar de beterraba na Europa, com o fato dos EUA passarem a consumir o açúcar proveniente de Cuba, Porto Rico, do Havaí, como resultado da Guerra Hispano-americana de 1898.
Em 1875 ocorreu uma iniciativa governamental, calçada em empréstimos estrangeiros de recuperação desta produção através da instalação dos engenhos centrais ( sociedades anônimas) e das usinas.
O algodão tinha a concorrência da produção norte-americana que abastecia na maior parte da Inglaterra. A produção algodoeira floresceu durante o processo de independência dos Estados Unidos (1776-1783) e no período da Guerra de Secessão (1861-1865).

Modernização dos transportes e industrialização:

Foi no período do Segundo Reinado que ocorreu a primeira expansão de ferrovias no país. Esta expansão se deu vinculada aos principais centros produtores para a exportação, para garantir a rapidez no fluxo de entrada e saída de produtos e ocorreu graças a disponibilidade de capitais estrangeiros (ingleses).
No nordeste as ferrovias se concentraram em Pernambuco ( Recife – São Francisco com início em 1855, na década de 1880 construiu-se a Great Western, todas de capital inglês). No sudeste, em particular no Rio de Janeiro, tivemos a primeira ferrovia construída pelo Barão de Mauá inaugurada em 1854 no percurso de Mauá a Serra da Estrela. Em seguida temos o início da estrada de ferro D. Pedro II (depois Central do Brasil) em 1855, com trechos sucessivos até Cachoeira em São Paulo, em 1875. Foi construída com capitais ingleses, recursos governamentais e nacionais particulares.
Em São Paulo a estrada de ferro de Santos a Jundiaí construída por uma companhia concessionária inglesa a São Paulo Railway Co Limited começou a funcionar em 1868. A partir daí surgiu, em primeiro lugar, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, organizada com capital brasileiro ligado ao café, seguiram-se a Mogiana, Ituana e a Sorocabana, esta última construída para escoar a produção algodoeira.
No período entre as décadas de 1840 a 1860, ocorreu no Brasil um surto de industrialização, que acabou por ficar conhecido como a Era Mauá, em função do seu principal representante, Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá. Este surto tem haver com alguns fatos e processos, em primeiro lugar neste período o Brasil começa a Ter uma maior liberdade em relação à Inglaterra devido ao fato que as receitas de exportação passam a vir de outros países (EUA, Alemanha, Países Baixo, Escandinávia, etc), com os quais tem um saldo favorável. Um reflexo disso foi que em 1842 o governo brasileiro não renovou os Tratados de 1810 e 1826.
Em 1844 foram criadas as Tarifas Alves Branco, com o objetivo de melhorar as receitas e que teve como resultado um efeito protecionista. As tarifas sobem de 15% para 30 e 60%.
Em 1850, a Lei Eusébio de Queiróz acaba com o trafico negreiro, com isso libera capital para outras atividades, parte deste capital foi para o setor industrial.
Em 1860, as Tarifas Silva Ferraz reduziram as tarifas de produtos importados em função dos saldos da balança comercial e pela pressão dos cafeicultores e comerciantes ingleses.

O fim do tráfico e a Crise de Mão-de-obra:

Entre os motivos que levaram ao fim do tráfico negreiro existiram as pressões inglesas, que já vinham desde 1810. Os motivos para estas pressões eram a necessidade da economia inglesa da ampliação do mercado consumidor; o uso da mão-de-obra africana na própria África; a difusão dos conceitos liberais e o redirecionamento do capital de compra de cativos para a produção de artigos industrializados.
Os Tratados de 1826 já colocavam uma data limite para o fim do tráfico, março de 1830. Porém esta determinação não entrou em vigor. Os motivos para esta não execução foram: os traficantes não eram malvistos pelos setores dominantes; beneficiaram-se das medidas descentralizadoras da Regência (júris locais controlados pelos grandes proprietários absolviam os poucos acusados); não havia alternativa viável ao trabalho escravo e não havia rebeliões generalizadas, com a exceção de Salvador.
Em 1845, a Inglaterra implantou o Bill Aberdeen (ministro das relações exteriores do governo inglês), pelo qual aquele país se autorizava sua marinha a abordar, apreender e julgar envolvidos nos tribunais ingleses. Isto gerou um incremento da pressão inglesa com apreendimentos em alto mar, penetração em águas brasileiras, ameaça de bloqueio aos principais portos.
Em 1850, a guerra contra Rosas implica na necessidade pelo governo brasileiro de Ter o apoio inglês. Ao mesmo tempo, desde o final da década de 1840 o mercado brasileiro se encontrava abastecido, a hipoteca dos fazendeiros fluminenses de suas propriedades junto a grandes traficantes para conseguir recursos destinados à compra de escravos tinha auxiliado na divisão entre estes dois segmentos e, por último, também colaborou para a decisão final o reforço do governo central.
Diante das expectativas colocadas a partir do fim do tráfico e de sua eventual substituição, algumas respostas começam a ser dadas. Uma delas foi, também de 1850, a Lei de Terras determinou que, no futuro, as terras públicas seriam vendidas e não doadas, estabeleceu normas para legalizar a posse das terras, procurou forçar o registro das propriedade e determinou que as terras públicas deveriam ser vendidas por um preço elevado par impedir o acesso à terra aos futuros imigrantes ou posseiros.
Num primeiro momento o suprimento de escravos para a área mais dinâmica, o sudeste cafeeiro, se deu através do tráfico interprovincial (das áreas decadentes do nordeste para o sudeste) e intraclasses ( dos proprietários mais empobrecidos para os mais abastados). Estima-se que entre 1850 e 1888 de cem a duzentos mil escravos foram deslocados de zonas açucareiras do nordeste para o centro-sul. Em 1874 já de detectava um declínio da população escrava em toda as regiões do país, tal tendência acentuou-se a partir de 1885.

A substituição de mão-de-obra

Foi em São Paulo que iniciou-se a opção pela substituição da mão-de-obra escrava pela do imigrante europeu. Pesaram para isso vários motivos. Em primeiro lugar o preconceito dos grandes fazendeiros dificultava ou impedia que eles imaginassem a hipótese de mudança de regime de trabalho da massa escrava; por outro lado, era duvidoso que os escravos estariam dispostos a aceitar uma situação que não seria muito diferente da que viviam. Além disso, o momento em que estava acontecendo esta crise foi o momento das argumentações racistas a partir de autores como Buckle e Gobineau, as quais desvalorizava não só os negros como também os mestiços. Outro motivo foi que os senhores de engenho e plantadores de algodão do Nordeste não aceitariam transferir o restante de suas forças de trabalho par o Sudeste.
Em 1847 o senador Vergueiro iniciou a primeira experiência, através de recursos do governo imperial trouxe imigrantes alemães e suíços no regime de parceria para suas fazendas e outras do Oeste Paulista.
A experiência resultou em vários conflitos, que explodiriam em uma revolta na fazenda Ibicaba em 1856.
Em 1871, coincidindo com a Lei do Ventre Livre, teve início a imigração subvencionada pelo governo de São Paulo. Até os primeiros anos de 1880 a entrada foi pequena.
A partir de 1886 houve um investimento na propaganda em virtude do aceleramento do processo de emancipação dos escravos ( 1885 – Lei dos Sexagenários). Auxiliou também para este incremento o processo de unificação italiana e as transformações capitalistas neste país.

2° reinado parte 2

EVOLUÇÃO POLÍTICA:
Fases:

A – Período da Consolidação (1840-1850)
B – Período da Conciliação (1850-1870)
C – Período de Crise (1870-1889)

Mantêm-se a política do restabelecimento da autoridade central e a defesa de integridade do Estado Imperial, por meio da submissão dos grupos rebeldes, pela força, por acordos, pela corrupção e o clientelismo. Os partidos que dominaram a cena política foram:

Partido Conservador – formado pela burocracia, grande comércio e a grande lavoura de exportação (Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco);
Partido Liberal – formado por profissionais liberais urbanos, agricultores ligados ao mercado interno e das áreas mais recentes de colonização.

Principais fatos políticos:

03/11/1841 – Reforma do Código do Processo Criminal - transferiu-se as principais atribuições criminais a delegados e subdelegados vinculados ao Ministério da Justiça;
23/11/1841 – Recria-se o Conselho de Estado;
19/10/1850 – Subordinação da Guarda Nacional ao Ministro da Justiça - Os oficiais passam a ser escolhidos pelo governo central ou pelos presidentes das províncias.

Entre 1840 a 1848 ocorreu uma sucessão de gabinetes liberais e conservadores, na verdade os liberais (antigos progressistas) faziam mais propaganda do que uma discussão mais séria.

1842 – Revoltas em São Paulo e Minas Gerais, mostra ainda que não existia um consenso.
1844 – Coroa incorpora antigos revoltosos no governo, demonstração que o governo podia coordenar divergências intraclasses.
1847 – Criou-se a figura do Presidente do Conselho de Ministros indicado pelo Imperador. Este forma o ministério. Quando a Câmara não apoiava o Conselho, o imperador dissolvia a Câmara e convocava novas eleições, em geral fraudadas. Era o chamado “Parlamentarismo às avessas”.
1848 – Eclosão da Revolução Praieira, que ocorre concomitante à onda de revoluções democráticas na Europa. Teve sua origem nas dificuldades econômicas e sociais e na concentração fundiária e teve como base, no campo, senhores de engenho liberais revoltados com a perda do controle para os conservadores. Apresenta novidades na defesa do voto universal e na defesa da garantia do trabalho.

A Política Externa durante o Segundo Reinado

A principal crise diplomática se deu com a Inglaterra e ficou conhecida como a Questão Christie. Os fatores que levaram a semelhante situação devem-se em termos econômicos a um conjunto de elementos que foram se somando. Em primeiro lugar o café reduziu a dependência econômica do Brasil com a Inglaterra devido ao fato de outros países serem os principais consumidores e aos superávits comerciais obtidos. Junte-se a isso a crise em relação ao tráfico (de 1827 a 1850), a não renovação do Tratado de Comércio de 1826 em 1842 e na implantação da Tarifas Alves Branco em 1844.
Em 1861 um navio inglês naufragado no Rio Grande do Sul teve sua carga roubada. O embaixador inglês no Rio de Janeiro, William Dougal Christie, exigiu acompanhamento inglês e indenização do governo brasileiro. Em 1862 outro evento veio tencionar ainda mais as relações entre o embaixador e governo, ocorreu a prisão de alguns marinheiros ingleses arruaceiros. Christie exigiu o pagamento da carga roubada do navio naufragado, a demissão dos policiais envolvidos na prisão dos marinheiros e desculpas oficiais. Diante da negativa do governo em relação a questão dos oficiais mandou navios de guerra aprisionarem cinco navios brasileiros no porto do Rio de Janeiro.
Por determinação do governo imperial, o representante brasileiro em Londres pediu explicações pela atitude de Christie. A Inglaterra não pediu desculpas pelo incidente o que levou o Brasil a romper relações diplomáticas com a mesma. Em relação a questão dos oficiais foi submetida ao arbitramento do rei Leopoldo I da Bélgica. O laudo do rei belga foi totalmente a favor do Brasil. Em 1865, as relações entre os dois países foram reatadas.

Conflitos na Região Platina

Os problemas nessa região foram herdados do período colonial (interesse pelo contrabando de prata, conquista do Uruguai por D. João), além do interesse pelo livre acesso pelo rio Paraguai.
Entre 1825 a 1828 ocorreu o processo de independência da província Cisplatina do Brasil, que teve o apoio da Argentina, interessada em aglutinar a região ao seu território. A Inglaterra interveio. Argentina e Brasil reconheceram a independência da República Oriental do Uruguai.
Em 1850 o Brasil se sentiu ameaçado pela aliança entre Argentina e Uruguai (Rosas e Oribe). Tinha medo de que se criasse um grande estado rival nas suas fronteiras, o que se somava um certo desejo de revanche do governo imperial em vista do apoio platino aos farroupilhas. Além disso, a formação de um poderoso estado platino poderia Ter um efeito separatista sobre as províncias do sul. Por último, a aproximação entre os dois países platinos foi percebida como um rompimento do Tratado de 1828 que tinha posto fim a Guerra da Cisplatina.
O conflito entre o Brasil e os dois países durou de 1851 a 1852. Aliado ao Brasil havia o partido colorado uruguaio ( formado por comerciantes adeptos do liberalismo e da aproximação com potências estrangeiras e as províncias de Entrerriós e Corrientes (seus dirigentes faziam oposição a Rosa por serem contrários a centralização). Com a vitoria brasileira os governantes depostos, a aliança entre os dois países foi desfeita e o Brasil exigiu retificações em seu favor.
Um novo conflito, o mais importante de todos os vividos nesta região no período, surgiu em 1864 com o Paraguai e se estendeu até 1870. Este conflito se inicia com a invasão brasileira ao Uruguai e a deposição de Aguirre, governante do Uruguai, que pede apoio a Francisco Solano López. O motivo da invasão brasileira foi motivada aparentemente com a posição do governo uruguaio de não controlar incidentes na fronteira.
Francisco Solano Lopez tinha como objetivo diminuir o poder de Buenos Aires, controlar o máximo possível o Uruguai, alcançar uma saída para o mar e controlar o curso superior do Paraná-Paraguai.
O Paraguai toma a ofensiva, em 1864, invadindo e ocupando a província de Mato Grosso. O Brasil se alia ao Uruguai e à Argentina formando a Tríplice Aliança e toma empréstimos junto à Inglaterra e à França.
Os resultados dessa guerra foram: o alto custo da guerra com o aumento do endividamento externo brasileiro; a destruição da população e da economia paraguaia; o fortalecimento do Brasil na região; o reconhecimento da Argentina como aliada (embora perdurassem algumas dificuldades) e a reorganização do exército.

2° reinado parte 3

2º REINADO – CRISE E FIM (1870-1889)

I – A Abolição da Escravidão:

Fim do tráfico apontava para o fim da escravidão.
Setores decadentes do Nordeste venderam sua mão-de-obra escrava e estabeleceram novas formas de trabalho.
Setor dinâmico do Oeste Paulista investiu na mão-de-obra imigrante (entrada mais vigorosa a partir de 1885).
Pressão internacional conjugada a pressão interna com o crescimento da campanha abolicionista (aparição de jornais, associações e propaganda em geral).
Escravidão criava uma fraqueza interna (exclusão da parcela escrava de um envolvimento enquanto nação), evidenciado na Guerra do Paraguai, além da sempre presente ameaça de revoltas escravas.
1871 – Lei do Ventre Livre (polêmica) – Um setor acreditava que a liberdade pela força de li podia gerar guerra entre raças(diferente de uma libertação por uma ação individual do senhor)
1885 – Lei dos Sexagenários – Estabelecia normas para libertação gradual de todos os escravos mediante indenização.
1888 – Fuga em massa de escravos nas fazendas paulistas apoiadas e incentivadas por ativistas liderados por Antônio Bento (caifazes).
Setor que mais se agarrava à escravidão era o dos barões do café do Vale do Paraíba devido à decadência da atividade e de seus plantéis de escravos comporem seu patrimônio e, muitas vezes, estarem hipotecados como garantia de empréstimos.
Tentativa de contemporização com os cafeicultores fluminenses apresentada por parlamentar paulista foi rejeitada, levando o presidente do Conselho, João Alfredo, propor a abolição sem indenização, o que acabou ocorrendo com a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888.
Abolição levou a perda de apoio da base social dos barões do café fluminenses, mas estes já não tinham tanta força.

II – Republicanismo:

As idéias republicanas se desenvolveram por duas vias: uma no Rio de Janeiro e outra por São Paulo.
A data de organização do partido no Rio de Janeiro foi 1870. No Rio de Janeiro era um movimento republicano urbano, base social era composta de profissionais liberais e jornalistas, a grande maioria defendia uma transição pacífica, associavam a república a maior representação política, aos direitos e garantias individuais, à Federação e ao fim da escravidão. Não conseguia organizar-se como partido político sólido.
O PRP foi fundado em 1873. Em São Paulo o movimento republicano tinha sua base entre os cafeicultores do Oeste Paulista, que defendiam principalmente o federalismo, para terem mais campo de ação e não acreditavam que essa possibilidade pudesse ser levantada pela monarquia. Federação significava controle da política bancária, imigração e descentralização de rendas. Só vieram a assumir uma posição clara contra o trabalho escravo em 1887.

III – Questão Religiosa:

Um Conflito diante de Bula papal levou sacerdotes a se afastarem da monarquia.
A Igreja Católica se encontrava, pela Constituição de 1824, soa a situação do padroado (Imperador nomeava bispos, dava a palavra final, beneplácito, para a execução das decisões papais).
1864 – Proibição papal de permanência de maçons nos quadros da Igreja. Imperador rejeitou a bula do Papa. Bispos de Belém e Olinda rebelaram-se e foram presos e condenados.
1874-1875 – conflito resolvido com a substituição do Gabinete, anistia dos bispos e suspensão pelo Papa das proibições. Mas gerou um distanciamento da instituição da monarquia.

III – Questão Militar:

Mudança de composição da oficialidade a partir de 1850: cresceu o número de filhos de militares e de burocratas, decresce o número dos filhos da classe latifundiária, em paralelo, reduz-se o peso de militares junto ao governo.
Reorganização da Academia Militar levando a uma ênfase no debate intelectual e a uma brecha para o positivismo. Desde a década de 1850 os militares eram favoráveis à abolição, imigração, industrialização e contrários ao nepotismo.
Exército voltou prestigiado e reorganizado da Guerra do Paraguai.
A partir de 1883 surgiram vários conflitos com o governo.
1883 – O tenente-coronel Sena Madureira se manifestou publicamente contra as reformas no sistema de aposentadoria militar.
1884 – O mesmo tenente-coronel Sena Madureira convidou jangadeiro que participou da luta pela libertação dos escravos no Ceará e foi transferido para o Rio Grande do Sul.
1886 – Proibição aos militares de discutir publicamente problemas políticos e militares.
06/1887 – Organizado o Clube Militar.
Final de 1888 – Pedro II nomeou o Visconde de Ouro Preto, que apresentou um projeto de reforma política, em grande parte inspiradas nas idéias republicanas. Algumas das propostas da Reforma eram:
- ampliação do direito de voto para cidadãos alfabetizados, profissionalmente em exercício legitimamente comprovado e que usufruísse de plenos direitos civis e políticos;
- aumento do poder decisório dos municípios e das províncias;
- eletividade dos administradores municipais e escolha de presidente e vice-presidente das províncias através de lista proposta pelos eleitores;
- plena liberdade de culto e ensino;
- extinção do Senado vitalício;
- redução de impostos sobre exportações e a redução de fretes;
- sugeria-se a expansão dos estabelecimentos de crédito;
- nova Lei de Terras que facilitasse a difusão de pequenos e médios proprietários;
- redução do Conselho de Estado a uma função administrativa.

Parlamento recusou o projeto desencadeando o fechamento da Câmara e a convocação de eleições.
Os republicanos aproveitaram para divulgar o boato de violenta repressão aos oficiais do exército por parte do governo. Conseguem convencer Deodoro da Fonseca sobre a necessidade de derrubar o governo, o que vai se concretizar no dia 15 de novembro de 189, através de uma ação por parte de tropas militares.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Texto de História

Colégio Pedro II – UE SCIII
Disciplina: História
Coordenador Pedagógico: Paulo Seabra
Professor: Albano
Turma: 1201, 1203 e 1205
Aluno:


UNIFICAÇÃO ITALIANA ( 1859 – 1871 )

Ø Congresso de Viena – Itália dividida em uma série de ducados, pequenas monarquias e principados, excetuando o Reino das Duas Sicílias, governado pelo ramo espanhol dos Bourbon e os Estados da Igreja pelo Papa, o restante ou estava sob o domínio direto da Áustria ou governado por príncipes austríacos. Somente o Reino do Piemonte – Sardenha era governado por uma casa dinástica italiana, a Casa de Sabóia.
Ø Os conceitos de autodeterminação dos povos e democratização vinham do contato com a França.
Ø Norte desenvolveu uma burguesia interessada no desenvolvimento nacional
Ø Carbonários – grupos de oficiais, comerciantes, intelectuais unidos em sociedades secretas na defesa da unificação. Atuaram entre 1815 e 1830, mas a falta de uma linha de ação definida leva ao abafamento de suas ações (reuniam monarquistas e republicanos).
Ø 1831– Risorgimento - movimento que não foi apenas político. Defendia a unificação, mas também a “ressurreição” da Itália como centro das artes e da filosofia. Entre os participantes destacava-se Giuseppe Mazzini.
Ø Giuseppe Mazzini – criou em 1831 uma nova sociedade secreta chamada Jovem Itália, com o objetivo de instaurar uma república popular. As idéias deste movimento chegavam à Itália através de um jornal de mesmo nome.
Ø 1848 – “A Primavera dos Povos” – onda de revoluções liberais e nacionalistas. Fernando II, o rei das Duas Sicílias e Carlos Alberto, rei do Piemonte, estabeleceram regimes constitucionais.
Ø Movimentos nacionalistas estouram em várias regiões. Movimento foi derrotado devido a intervenção austríaca e a divisão entre os revolucionários.
Ø 1852 – Camilo Benso, Conde de Cavour, é nomeado primeiro-ministro do reino do Piemonte. Busca apoio de uma potência estrangeira para a luta pela unificação. Assinou um tratado oficial com a França em 1859.
Ø 1859 – iniciou – se uma guerra com a Áustria com a conquista da cidade de Milão pelas tropas italianas e francesas. Giuseppe Garibaldi e seus voluntários mantêm a luta nos Alpes. Toda a Itália Central se revolta.
Ø 1860 – através de um novo acordo entre o Piemonte e a França foram realizados plebiscitos nas regiões da Toscana, Módena, Parma, Romanha, Sabóia e Nice, estas duas últimas escolheram anexar-se à França e o restante ao Piemonte. Foi criado o reino da Alta Itália.
Ø A unificação do Reino das Duas Sicílias foi iniciada pelas forças de Garibaldi que entregou o controle as tropas reais piemontesas.
Ø 1866 – Na Guerra das Sete Semanas, em aliança com a Prússia, contra a Áustria, o reino da Alta Itália, obtêm a anexação da região de Veneza.
Ø 1870 – Aproveitando a saída das tropas francesas e a queda de Napoleão, foi ocupada a região de Roma.
Ø Janeiro de 1871 – Vítor Emanuel II transfere-se para Roma, completando a unificação.
Ø A recusa do Papa em reconhecer o novo Estado criou a Questão Romana, que só foi resolvida em 1929, pelo Tratado de Latrão.


UNIFICAÇÃO ALEMÃ ( 1864 – 1871 )

Ø Congresso de Viena – formou a Confederação Germânica composta de 39 Estados soberanos. Destacavam – se o Império Austríaco de economia agrária e o Reino da Prússia mais desenvolvido.
Ø 1830 – além da reivindicação pelos intelectuais da unidade étnica e cultural, agregou-se a reivindicação por um regime liberal, por influencia da França. Grandes industriais e comerciantes apoiaram pelos benefícios que teriam com a unificação.
Ø 1834 – criação da Zolvereim – unificação aduaneira por iniciativa da Prússia excluindo a Áustria, favorecendo o desenvolvimento industrial.
Ø 1848 – no bojo das revoluções liberais e nacionalistas reuniu-se a Assembléia de Frankfurt onde saiu vitoriosa a idéia da burguesia de oferecer a coroa da futura nação ao rei da Prússia, que aconselhado por Bismarck, a recusou, por vir de uma assembléia popular.
Ø 1860 – a Prússia iniciou um programa de modernização militar aliando a alta burguesia aos aristocratas alemães, os junkers.
Ø Bismarck elaborou uma estratégia para a unificação política baseando-se ma participação em guerras e no jogo de colocar um país adversário da Prússia contra o outro.
Ø 1864 – a Prússia conseguiu uma aliança com a Áustria para lutar contra a Dinamarca e evitar a anexação definitiva de duas regiões de maioria alemã ( Schleswig – Holstein ) por aquela nação.
Ø 1866 – iniciou-se a Guerra das Sete Semanas entre a Prússia e a Áustria pela posse dos territórios conquistados à Dinamarca. Bismarck conseguiu o apoio dos franceses e dos italianos. A Áustria foi derrotada e renunciou às duas províncias, entregou Veneza aos italianos e aceita o fim da Confederação Germânica.
Ø Bismarck unificou os Estados do Norte e criou a Confederação Germânica do Norte sob liderança do Kaiser Guilherme I da Prússia. Cada Estado conservava seu poder, mas as forças armadas, as relações internacionais, o comércio e a moeda eram competência do governo central.
Ø A Franca se opôs a formação de um Estado forte em suas fronteiras. O ápice da crise veio com a crise da sucessão espanhola quando Napoleão III vetou a subida ao trono de um membro da família real prussiana. A França ficava cercada por dois estados governados pela mesma dinastia.
Ø 1870 – diante da declaração de guerra da França, os Estados do Sul aliam-se a Prússia.
Ø Após seis meses de luta a França foi derrotada e Bismarck anexou os Estados do Sul, criando o Império Alemão, cuja oficialização se deu em Versalhes, na França, em janeiro de 1871.




A GUERRA DE SECESSÃO

PONTOS EM COMUM DAS DUAS REGIÕES ( OS ESTADOS DO NORTE E OS ESTADOS DO SUL):

Ø Ambas as regiões defendiam uma política expansionista para o leste, que tinha se iniciado já no processo da independência com o avanço do limite original das 13 colônias até os Grandes lagos e o Mississipi ( 1783 ).
Ø A expansão se deu por duas vias: pela negociação e por guerras de conquista.
Ø Em função desta política expansionista que teve num primeiro momento a vontade de ocupar as terras de colonização inglesa no Canadá, combinado aos atritos comerciais advindos do bloqueio marítimo imposto pelos ingleses ao comércio dos norte-americanos com a França, houve um novo conflito entre Inglaterra e os EUA, em 1812, que ficou conhecido como a 2ª Guerra de Independência (1812 – 1814).
Ø Apesar dos EUA terem saído desta guerra sem perdas territoriais, tal conflito levou as elites norte-americanas a desenvolver uma política de isolamento, que ficou conhecida como Doutrina Monroe, ou seja, nem os EUA interviriam em conflitos europeus, nem permitiriam que países europeus se intrometessem nos assuntos internos dos países do continente. Seu lema era “a América para os americanos”.
Ø Os EUA se tornaram um dos maiores países do mundo, com acesso aos oceanos Atlântico e Pacifico e com grandes reservas de recursos naturais para seu desenvolvimento.
Ø Durante a anexação dos territórios mexicanos (1845 a 1848), surgiu a Doutrina do Destino Manifesto, que defendia que os norte-americanos estavam fadados a colonizar a parte sul da América e a civilizar o mundo, devido a sua superioridade moral.

A GUERRA CIVIL

Ø que levou a guerra de secessão foram as diferenças entre o norte e o sul.
Ø O Norte se industrializava cada vez mais e queria impor uma política de protecionismo alfandegário para proteger seus produtos da concorrência estrangeira. O Norte defendia a extinção do trabalho escravo para ampliar o mercado consumidor interno, Norte desenvolveu uma burguesia interessada no desenvolvimento nacional.
Ø Sul produzia principalmente algodão, que era exportado principalmente para a Inglaterra e defendia o livre-cambismo. O Sul defendia a manutenção do trabalho escravo, que vinha desde o período colonial, enquanto o Sul continuava com uma mentalidade rural, aristocrática, defensora da autonomia dos estados.

O ESTOPIM DA GUERRA CIVIL

Ø motivo que deflagra todo o processo de tentativa de secessão e a guerra civil foi a vitória em 1860 de Abraham Lincoln, defensor do protecionismo alfandegário e opositor à escravidão e ao espírito autonomista.
Ø No mesmo ano a Carolina do Sul proclama sua separação, outros dez estados sulistas a seguem e formam os Estados Confederados da América.
Ø conflito foi deflagrado em 12 de abril de 1861 e durou até 9 de abril de 1865. Foi considerada a primeira das grandes guerras modernas e teve um saldo de 620.000 mortos. Ao seu final houve a vitória do Norte sobre o Sul.
Ø Norte era mais industrializado, produzia suas próprias armas e possuía uma rede ferroviária mais extensa e mais moderna, somava 23 estados e 28 milhões de habitantes.
Ø Sul somava onze estados com nove milhões de habitantes, sendo um terço de escravos e não conseguiu apoio internacional devido a sua defesa da manutenção da escravidão.

RESULTADOS DA VITÓRIA DO NORTE

Ø Determinou a extinção da escravidão, tirou o poder da aristocracia agrária do sul, estimulou a formulação de uma consciência cívica ( ampliação dos direitos civis a todos os cidadãos ), embora tenha tido forte reação de setores sulistas contra a igualdade entre brancos e negros.
Ø Já durante a guerra foram tomadas medidas que favoreceram a expansão econômica norte-americana: em 1861, houve a decretação de medidas de proteção alfandegária; em 1862 o Homestead Act garantiu um lote mínimo de terra a cada colono, expandindo a ocupação dos territórios e também o governo decidiu financiar a construção de uma ferrovia intercontinental.
Ø Depois da guerra civil houve também um grande fluxo de imigrantes europeus, destinados principalmente ao trabalho industrial. Tal fluxo aumentava a oferta de mão de obra, barateando o seu valor.
Ø Essa condições levaram a que em poucas décadas houvesse um grande desenvolvimento da economia norte-americana. No início do século XX, o empresário Henry Ford revolucionou a indústria automobilística com a produção em série. O desenvolvimento desta indústria afetou outros setores e catapultou a indústria norte-americana.

CONSEQÜÊNCIAS NO EXTERIOR

Ø Os EUA se tornaram o principal país da América e passou a ter uma política intervencionista no continente para garantir sua supremacia e os interesses de suas empresas. É o período do Corolário Roosevelt à Doutrina Monroe. Esta doutrina se tratou de uma adaptação dos fundamentos da Doutrina Monroe pelo presidente Theodore Roosevelt (1901 – 1909) arrogando-se o direito de intervir em casos de incidentes, incapacidades dos governos e de ameaças de intervenções européias no continente. Esta política de intervenção militar foi denominada de “Big Stick” ( O Grande Porrete ).

PRINCIPAIS INTERVENÇÕES

Ø Ä partir da luta pela independência de Cuba em 1898, os EUA intervieram no processo, anexaram Porto Rico e as Filipinas e impuseram à Constituição cubana de 1901 a Emenda Platt, que cedia a base de Guantánamo e garantia o direito de intervenção dos EUA em Cuba.
Ø Em 1903, o Congresso colombiano negou-se a ratificar um tratado para arrendamento de uma parte do território com vistas a construção de um canal entre o Atlântico e o Pacífico, os EUA reconheceram e protegeram um movimento separatista que proclamou a independência da região (Panamá).
Ø Em 1909 os EUA intervieram na Nicarágua ocupando militarmente a fim de estabilizar a região.

Texto do história

COLÉGIO PEDRO II - UNIDADE SÃO CRISTÓVÃO III
História - 2007 – 2ª Série do Ensino Médio
Profs. Albano Teixeira - Coord. Prof. Paulo Seabra

CAPITALISMO MONOPOLISTA, IMPERIALISMO E NEOCOLONIALISMO

A partir de aproximadamente 1860 / 70 mudanças tendem a se acelerar na sociedade capitalista, tais como:

A. Desenvolvimento acelerado de novas tecnologias estimulado pelas empresas com o objetivo de aumentar a produtividade e baratear a produção. É a chamada 2ª Revolução Industrial;
B. Aumento da concorrência interna e internacional de empresas capitalistas por mercadores consumidores e fornecedores de matérias-primas ( minérios, produtos agrícolas, petróleo);
C. Tendência à concentração de capital, levando a uma diminuição do número de empresas e aumento da dimensão média das mesmas, fruto das falências, fusões e eliminações de empresas concorrentes e da transformação em sociedades anônimas;
D. A necessidade de crescentes recursos para investimentos ( principalmente na área de pesquisa e aquisição de novos equipamentos ) e de colocação de ações no mercado levou a fusão do capital industrial com o capital bancário, levando à formação do capital financeiro.
E. Outra tendência foi a política protecionista que passou a caracterizar a ação governamental através de altas tarifas alfandegárias para garantir internamente altos preços das empresas e auxiliar na conquista do mercado estrangeiro através da prática do dumping.
F. A busca por novos mercados consumidores e fornecedores de matérias-primas (minérios, produtos agrícolas, petróleo) para as grandes empresas capitalistas e de novas possibilidades de aplicação de capitais em setores lucrativos de países e regiões levaram a uma “corrida colonialista”, ou seja, a conquista de territórios fora da Europa e na união de cada burguesia ao seu Estado nacional para alcançar tais objetivos.
G. A justificativa ideológica era baseada na idéia de que a civilização e o homem europeu representavam o último estágio da civilização humana e que deveriam difundir seus hábitos, costumes e tradições entre os outros povos. Esse pensamento deu base as ideologias da “missão civilizadora” e do racismo.
H. o aparecimento de cartéis, trustes e holdings nos países capitalistas.
Podemos definir que os europeus se polarizaram entre formas de administração “direta” e “indireta”, ou seja, na primeira forma tentando assimilar os nativos aos seus valores, cultura e ideais e na segunda, mantendo as estruturas locais e subordinando-as a seus representantes.
Essa luta por territórios e mercados acabou levando a choques armados entre as potências imperialistas e destas com as nações e povos não europeus. Muitos destes conflitos acumularam para a eclosão da primeira Guerra Mundial.

a) trustes – grandes empresas que controlam um determinado setor (seja em todas as suas etapas, seja no produto final em si). Presente nos EUA.
b) cartéis – empresas similares mediante acordo fazem uma divisão de mercados ou cotas de produção e venda. Presente na Europa.
c) Holding – surgidas no final do século XIX para substituir os trustes e uma empresa que coordena diversas outras empresas.
A PARTILHA DA ÁFRICA, DA ÁSIA E DA OCEANIA
Em 1876, o rei Leopoldo II da Bélgica reuniu em Bruxelas um congresso de presidentes de sociedades geográficas, deste evento resultaram a Associação Internacional Africana e o Grupo de Estudos do Alto Congo.
O impulso maior foi a partir de 1870 em função da descoberta de ouro e diamantes na África do Sul.
Em função dos diversos conflitos, o chanceler alemão Otto Von Bismarck promoveu a Conferência de Berlim (1884-5) que acelerou o processo de partilha da África.
África do Sul
Os bôeres, descendentes de holandeses, ocupavam dois Estados: Orange e Transvaal. Os ingleses ocupavam a Colônia do Cabo (desde as guerras napoleônicas) e Natal. A descoberta de ouro em 1889 no Transvaal produziu uma corrida européia (ingleses, escoceses e australianos). O Transvaal impôs limites e tributos e negou diretos políticos, Sua negativa em aceitar uma federação sob tutela inglesa, provocou um primeiro confronto armado em 1895. A guerra foi de 1899 a 1902. Em 1906-7, a Inglaterra concedeu autonomia limitada aos dois Estados que acabaram em 1910 formando a União Sul-Africana.
Índia
A ocupação se efetuou a partir do século XVIII pela Companhia das Índias Ocidentais, a partir da derrota francesa na Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e a cessão das áreas controladas pela Companhia das Índias francesa e sua área de influência.
A Inglaterra completou sua dominação no século XIX, mas manteve autoridades locais em parte das regiões.
A dominação inglesa destruiu a economia indiana tradicional em particular o artesanato indiano de tecidos. A Revolução dos Cipaios foi a mais famosa (1857-1858). O motivo foi o uso dos cartuchos para as armas que eram revestidos de graxa animal. O movimento foi derrotado por ser constituído por forças heterogêneas (soldados, príncipes insatisfeitos, religiosos temerosos do crescimento do cristianismo, artesãos arruinados), não conseguiu adesão popular, bem como de importantes príncipes.
Em 1796 a Inglaterra anexou o Ceilão, antes sob domínio holandês e em 1806 houve a anexação da Birmânia.
Os investimentos ingleses foram em grandes plantações (chá, borracha, café, anil), em minas e ferrovias (que fizeram as ligações entre as plantations aos portos).
Para se estabelecer e manter seu domínio os ingleses lançaram mão de rivalidades políticas, étnicas e religiosas.
Japão
Já na Ásia as potências ocidentais se depararam com um novo concorrente, o Japão, que a partir da Revolução Meiji, de 1868, tinha entrado numa fase de industrialização e desenvolvimento dirigido pelo Estado.
O primeiro contato dos europeus com o Japão foi em 1542 com os portugueses. Em 1648 houve o fechamento para o Ocidente.
O poder dentro do Japão estava nas mãos do Xogum, chefe militar que se interpunha entre o Imperador e os daimios (grandes senhores de terras). A transformação foi precipitada pela intervenção estrangeira em 1853 com a missão americana comandada pelo almirante Perry. Em 1854 foi assinado um tratado que abria dois portos ao comércio norte-americano e estabelecia relações diplomáticas com a Inglaterra, Holanda e Rússia. Novos acordos foram impostos com afirmação de direito de residência dos estrangeiros e o da extraterritorialidade (Tratados Desiguais).
Toda a oposição ao xogunato aglutinou-se em torno do imperador, derrubando o Xogum e restaurando a autoridade do Imperador (1868), inaugurando a Era Meiji, já citada.
Em pouco mais de vinte anos o país se industrializou e concentrou a produção em grandes cartéis (Vitsui, Mitsubishi, Sumitomo). Em 1894 conseguiu a abolição dos Tratados Desiguais e lançou-se à experiência imperialista.
Em conseqüência desse processo, entre 1894 e 95, o país conquistou da China a Coréia e a ilha de Formosa.
China
Com relação à China, desde o século XVII reinavam os Quing de origem manchu (uma das fontes de sua debilidade). O processo agressivo de entrada dos países imperialistas se deu a partir da Primeira Guerra do Ópio (1839-1842), que ocorreu sob o pretexto do confisco e destruição de estoques de ópio comercializados pelos ingleses. O resultado desta guerra foi o Tratado de Nanquim (1842) que impôs a abertura de cinco portos e a cessão de Hong kong à Inglaterra.
Entre 1856 e 1858, a Segunda e a Terceira Guerras do Ópio uniu ingleses e franceses, que impuseram os “Tratados Desiguais” (Tien-Tsin e Pequim), os quais garantiam a abertura de mais onze portos e direitos especiais para os europeus (extraterritorialidade, liberdade de atividade econômica de estrangeiros em certas regiões, livre circulação dos navios de guerra europeus em águas interiores e as “concessões”, bairros ou portos sob autoridade estrangeira).
Um primeiro movimento importante foi a Revolta Taiping (1851-1864), que foi um movimento de oposição à dinastia Manchu e à opressão estrangeira, com sua expressão religiosa sendo uma mescla de cristianismo e cultos populares chineses e que também defendia uma ampla redistribuição de terras).
Em seqüência ocorreu a Guerra Sino-Japonesa (1895), na qual o Japão invadiu a Península Coreana indo até a Manchúria. Entre 1896 e 1902 houve o que ficou chamado de “a Batalha das Concessões”, que foi a divisão da China em áreas de influências entre a Inglaterra, a França, a Alemanha, o Japão e a Rússia.
Em 1900 ocorreu a Guerra dos Boxers, um movimento nacionalista radical que foi sufocado por uma força expedicionária multinacional e que resultou em um Acordo de Paz (1901) que assegurou a presença militar ocidental na China e na própria capital (Cidade Sagrada). A década seguinte foi o auge do domínio ocidental. Em 1911 o Kuomintang derrubou a monarquia e implantou uma república.
Comparações entre o Japão e a China
a) por seus recursos minerais, produção complexa e refinada e grande população, a China foi alvo preferido do Ocidente que via nela um mercado fabuloso, bem como fonte fornecedora de matérias-primas;
b) crentes na superioridade de sua própria cultura, os chineses se recusavam a conhecer os progressos dos ocidentais, enquanto o Japão há muito tempo era receptivo às ciências e técnicas do Ocidente, procurando aprender avidamente suas instituições, as razões de seu progresso econômico e superioridade militar;
c) c) a China era governada por uma dinastia sem apoio popular, obrigada, por isso mesmo, a concessões cada vez maiores ao Ocidente, incapaz de resistir à penetração das potências e, enquanto isso, o imperador japonês aglutinou em torno de si o apoio e entusiasmo da população.
Outras informações importantes
Os EUA também participaram ao tomar as Filipinas da Espanha em 1898 da corrida colonialista na Ásia..
O maior império colonial na Ásia era o inglês e compreendia, entre outros territórios, os atuais Paquistão, Índia, Bangladesh, Ceilão e Birmânia.
Em 1914, 60% das terra e 65% da população mundial dependiam da Europa. Suas potências tinham anexado 90% da África, 99% da Oceania e 56% da Ásia. Os maiores impérios coloniais eram o inglês e o francês com, respectivamente, 35 milhões e 11 milhões de quilômetros quadrados.
Na América Latina, o imperialismo se reverteu na forma da dependência financeira e comercial das novas nações às grandes potências, em especial a Inglaterra.
A estrutura colonial de exploração não foi mudada e os novos países contraíram empréstimos públicos e privados para construir e manter o estado, além de abrir as áreas de mineração, de operações financeiras, comércio de exportação e importação, transportes e serviços públicos ao capital financeiro estrangeiro.

Exercícios de Matematica 1

Se um acontecimento A pode ocorrer de m maneiras diferentes e se um segundo aconteci-mento B pode ocorrer de n maneiras diferen- tes, então o número de maneiras de ocorrer A seguido de B é m . n .





1. Para ir de uma cidade A para uma cidade B dispomos de 3 caminhos; para ir de B até outra cidade C dispomos de 4 caminhos. De quantos modos podemos viajar de A até C passando por B ?

2. À diretoria de uma firma concorrem 3 candidatos à presidência e 5 candidatos à vice-presidência. Quantas chapas distintas podem ser formadas com um presidente e um vice ?

3. Quantos automóveis podem ser licenciados, se cada placa contém duas vogais e três dígitos ?

4. Uma sala possui 10 cadeiras. De quantas maneiras 3 pessoas podem sentar-se ?

5. Uma família com 5 pessoas possui um automóvel de 5 lugares. De quantos modos poderão se acomodar para uma viagem quando:
a) só uma pessoa sabe dirigir ?

b) duas pessoas sabem dirigir ?

c) todos sabem dirigir ?

6. Quantos anagramas da palavra LIVRO come- çam pela letra L ?








Prof. Angela Marrochi



7. Quantos números naturais com 4 algarismos diferentes tem o algarismo da unidade de milhar igual a 5 ?

8. Qual o número de anagramas da palavra CARMO onde as letras C e A aparecem juntas ?

9. Quantos números com 3 algarismos podem ser formados com os dígitos de 1 a 7 ?

10. Quantos números com 4 algarismos distintos podem ser formados com os dígitos de 1 a 6 ?

11. Quantos números com 3 algarismos distintos podem ser formados com os dígitos de 0 a 9 ?

12. Quantos números ímpares com 4 algarismos distintos podemos formar com os dígitos de 1 a 9 ?




Chama-se fatorial de um número n o produto de todos os números naturais de n até 1 .
Representação: n! = n.(n – 1).(n – 2). ... .2.1

Lê-se n fatorial

OBS.: Por convenção, temos: 1! = 1 e 0! = 1

EX.1) Calcule:
a) 5! c)
b) d)

EX.2) Calcule n , sabendo que:
a) = 11
b) = 30






Chama-se arranjo de n objetos distintos tomados p a p a qualquer agrupamento ordenado de p objetos.
Representação: An , p =


EX.1) Calcule:
a) A7,4
b) A10,2

EX.2) Quantos números de 4 algarismos distin-tos tem o algarismo da unidade de milhar igual a 7 ?




Chama-se permutação de n objetos distintos a qualquer agrupamento ordenado desses objetos.
Representação: Pn = n! = n.(n – 1). ... . 3 . 2 . 1

EX.1) Quantos são os anagramas da palavra “ZERO” ?

EX.2) Quantos números de 5 algarismos distintos podemos formar com os algarismos 1 , 2 , 3 , 4 e 5 ?




Chama-se combinação de n objetos distintos tomados p a p a qualquer agrupamento desses objetos.
Representação: Cn p =
EX.1) Calcule:
a) C7,4
b) C10,2

EX.2) Com 10 pontos de uma circunferência, quantos triângulos podem ser obtidos tendo vértices nesses pontos ?

EX.3) De quantos modos uma comissão com 5 membros pode ser formada a partir de 12 pessoas, sendo que uma pessoa P deve figurar na comissão ?







1. Com 7 alunos, de quantos modos pode- mos formar uma comissão de 3 alunos ?

2. Dados 6 pontos coplanares, dos quais não há 3 colineares, qual é o número de retas que podem ser obtidas passando por dois quaisquer desses pontos ?

3. Uma biblioteca empresta no máximo 3 livros por pessoa. Um estudante deve es- colher, entre 10 livros de seu interesse, 3 para serem retirados. De quantos modos poderá fazê-lo ?

4. Quantas retas distintas podem ser obtidas passando por dois quaisquer dos vértices de um decágono ?

5. Quantas diagonais tem um heptágono ?

6. Quantos triângulos podem ser obtidos tendo vértices em 3 quaisquer dos vértices de um decágono ?

7. Com 8 professores, de quantos modos podemos formar uma banca com 3 membros em que figure sempre um determinado professor ?

8. Dispomos de 10 músicos que tocam bateria, guitarra e contrabaixo indistin- tamente e de 2 pianistas. De quantos modos podemos formar um conjunto musical que tenha um pianista, um ba-terista, um guitarrista e um músico no contrabaixo ?

9. Dados 10 pontos do espaço, dos quais exatamente 6 são coplanares, quantos planos podem ser obtidos passando por 3 quaisquer desses pontos ?

10. Numa congregação de 20 professores, 6 lecionam Matemática. De quantos modos podemos formar uma comissão com 4 professores, de tal maneira que em cada uma figure pelo menos um professor de Matemática ?

11. Uma organização dispõe de 8 economis- tas e 5 engenheiros. De quantos modos podemos formar uma comissão com 6 membros, se cada uma deve ter, no mínimo, 3 engenheiros ?