quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Texto do história

COLÉGIO PEDRO II - UNIDADE SÃO CRISTÓVÃO III
História - 2007 – 2ª Série do Ensino Médio
Profs. Albano Teixeira - Coord. Prof. Paulo Seabra

CAPITALISMO MONOPOLISTA, IMPERIALISMO E NEOCOLONIALISMO

A partir de aproximadamente 1860 / 70 mudanças tendem a se acelerar na sociedade capitalista, tais como:

A. Desenvolvimento acelerado de novas tecnologias estimulado pelas empresas com o objetivo de aumentar a produtividade e baratear a produção. É a chamada 2ª Revolução Industrial;
B. Aumento da concorrência interna e internacional de empresas capitalistas por mercadores consumidores e fornecedores de matérias-primas ( minérios, produtos agrícolas, petróleo);
C. Tendência à concentração de capital, levando a uma diminuição do número de empresas e aumento da dimensão média das mesmas, fruto das falências, fusões e eliminações de empresas concorrentes e da transformação em sociedades anônimas;
D. A necessidade de crescentes recursos para investimentos ( principalmente na área de pesquisa e aquisição de novos equipamentos ) e de colocação de ações no mercado levou a fusão do capital industrial com o capital bancário, levando à formação do capital financeiro.
E. Outra tendência foi a política protecionista que passou a caracterizar a ação governamental através de altas tarifas alfandegárias para garantir internamente altos preços das empresas e auxiliar na conquista do mercado estrangeiro através da prática do dumping.
F. A busca por novos mercados consumidores e fornecedores de matérias-primas (minérios, produtos agrícolas, petróleo) para as grandes empresas capitalistas e de novas possibilidades de aplicação de capitais em setores lucrativos de países e regiões levaram a uma “corrida colonialista”, ou seja, a conquista de territórios fora da Europa e na união de cada burguesia ao seu Estado nacional para alcançar tais objetivos.
G. A justificativa ideológica era baseada na idéia de que a civilização e o homem europeu representavam o último estágio da civilização humana e que deveriam difundir seus hábitos, costumes e tradições entre os outros povos. Esse pensamento deu base as ideologias da “missão civilizadora” e do racismo.
H. o aparecimento de cartéis, trustes e holdings nos países capitalistas.
Podemos definir que os europeus se polarizaram entre formas de administração “direta” e “indireta”, ou seja, na primeira forma tentando assimilar os nativos aos seus valores, cultura e ideais e na segunda, mantendo as estruturas locais e subordinando-as a seus representantes.
Essa luta por territórios e mercados acabou levando a choques armados entre as potências imperialistas e destas com as nações e povos não europeus. Muitos destes conflitos acumularam para a eclosão da primeira Guerra Mundial.

a) trustes – grandes empresas que controlam um determinado setor (seja em todas as suas etapas, seja no produto final em si). Presente nos EUA.
b) cartéis – empresas similares mediante acordo fazem uma divisão de mercados ou cotas de produção e venda. Presente na Europa.
c) Holding – surgidas no final do século XIX para substituir os trustes e uma empresa que coordena diversas outras empresas.
A PARTILHA DA ÁFRICA, DA ÁSIA E DA OCEANIA
Em 1876, o rei Leopoldo II da Bélgica reuniu em Bruxelas um congresso de presidentes de sociedades geográficas, deste evento resultaram a Associação Internacional Africana e o Grupo de Estudos do Alto Congo.
O impulso maior foi a partir de 1870 em função da descoberta de ouro e diamantes na África do Sul.
Em função dos diversos conflitos, o chanceler alemão Otto Von Bismarck promoveu a Conferência de Berlim (1884-5) que acelerou o processo de partilha da África.
África do Sul
Os bôeres, descendentes de holandeses, ocupavam dois Estados: Orange e Transvaal. Os ingleses ocupavam a Colônia do Cabo (desde as guerras napoleônicas) e Natal. A descoberta de ouro em 1889 no Transvaal produziu uma corrida européia (ingleses, escoceses e australianos). O Transvaal impôs limites e tributos e negou diretos políticos, Sua negativa em aceitar uma federação sob tutela inglesa, provocou um primeiro confronto armado em 1895. A guerra foi de 1899 a 1902. Em 1906-7, a Inglaterra concedeu autonomia limitada aos dois Estados que acabaram em 1910 formando a União Sul-Africana.
Índia
A ocupação se efetuou a partir do século XVIII pela Companhia das Índias Ocidentais, a partir da derrota francesa na Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e a cessão das áreas controladas pela Companhia das Índias francesa e sua área de influência.
A Inglaterra completou sua dominação no século XIX, mas manteve autoridades locais em parte das regiões.
A dominação inglesa destruiu a economia indiana tradicional em particular o artesanato indiano de tecidos. A Revolução dos Cipaios foi a mais famosa (1857-1858). O motivo foi o uso dos cartuchos para as armas que eram revestidos de graxa animal. O movimento foi derrotado por ser constituído por forças heterogêneas (soldados, príncipes insatisfeitos, religiosos temerosos do crescimento do cristianismo, artesãos arruinados), não conseguiu adesão popular, bem como de importantes príncipes.
Em 1796 a Inglaterra anexou o Ceilão, antes sob domínio holandês e em 1806 houve a anexação da Birmânia.
Os investimentos ingleses foram em grandes plantações (chá, borracha, café, anil), em minas e ferrovias (que fizeram as ligações entre as plantations aos portos).
Para se estabelecer e manter seu domínio os ingleses lançaram mão de rivalidades políticas, étnicas e religiosas.
Japão
Já na Ásia as potências ocidentais se depararam com um novo concorrente, o Japão, que a partir da Revolução Meiji, de 1868, tinha entrado numa fase de industrialização e desenvolvimento dirigido pelo Estado.
O primeiro contato dos europeus com o Japão foi em 1542 com os portugueses. Em 1648 houve o fechamento para o Ocidente.
O poder dentro do Japão estava nas mãos do Xogum, chefe militar que se interpunha entre o Imperador e os daimios (grandes senhores de terras). A transformação foi precipitada pela intervenção estrangeira em 1853 com a missão americana comandada pelo almirante Perry. Em 1854 foi assinado um tratado que abria dois portos ao comércio norte-americano e estabelecia relações diplomáticas com a Inglaterra, Holanda e Rússia. Novos acordos foram impostos com afirmação de direito de residência dos estrangeiros e o da extraterritorialidade (Tratados Desiguais).
Toda a oposição ao xogunato aglutinou-se em torno do imperador, derrubando o Xogum e restaurando a autoridade do Imperador (1868), inaugurando a Era Meiji, já citada.
Em pouco mais de vinte anos o país se industrializou e concentrou a produção em grandes cartéis (Vitsui, Mitsubishi, Sumitomo). Em 1894 conseguiu a abolição dos Tratados Desiguais e lançou-se à experiência imperialista.
Em conseqüência desse processo, entre 1894 e 95, o país conquistou da China a Coréia e a ilha de Formosa.
China
Com relação à China, desde o século XVII reinavam os Quing de origem manchu (uma das fontes de sua debilidade). O processo agressivo de entrada dos países imperialistas se deu a partir da Primeira Guerra do Ópio (1839-1842), que ocorreu sob o pretexto do confisco e destruição de estoques de ópio comercializados pelos ingleses. O resultado desta guerra foi o Tratado de Nanquim (1842) que impôs a abertura de cinco portos e a cessão de Hong kong à Inglaterra.
Entre 1856 e 1858, a Segunda e a Terceira Guerras do Ópio uniu ingleses e franceses, que impuseram os “Tratados Desiguais” (Tien-Tsin e Pequim), os quais garantiam a abertura de mais onze portos e direitos especiais para os europeus (extraterritorialidade, liberdade de atividade econômica de estrangeiros em certas regiões, livre circulação dos navios de guerra europeus em águas interiores e as “concessões”, bairros ou portos sob autoridade estrangeira).
Um primeiro movimento importante foi a Revolta Taiping (1851-1864), que foi um movimento de oposição à dinastia Manchu e à opressão estrangeira, com sua expressão religiosa sendo uma mescla de cristianismo e cultos populares chineses e que também defendia uma ampla redistribuição de terras).
Em seqüência ocorreu a Guerra Sino-Japonesa (1895), na qual o Japão invadiu a Península Coreana indo até a Manchúria. Entre 1896 e 1902 houve o que ficou chamado de “a Batalha das Concessões”, que foi a divisão da China em áreas de influências entre a Inglaterra, a França, a Alemanha, o Japão e a Rússia.
Em 1900 ocorreu a Guerra dos Boxers, um movimento nacionalista radical que foi sufocado por uma força expedicionária multinacional e que resultou em um Acordo de Paz (1901) que assegurou a presença militar ocidental na China e na própria capital (Cidade Sagrada). A década seguinte foi o auge do domínio ocidental. Em 1911 o Kuomintang derrubou a monarquia e implantou uma república.
Comparações entre o Japão e a China
a) por seus recursos minerais, produção complexa e refinada e grande população, a China foi alvo preferido do Ocidente que via nela um mercado fabuloso, bem como fonte fornecedora de matérias-primas;
b) crentes na superioridade de sua própria cultura, os chineses se recusavam a conhecer os progressos dos ocidentais, enquanto o Japão há muito tempo era receptivo às ciências e técnicas do Ocidente, procurando aprender avidamente suas instituições, as razões de seu progresso econômico e superioridade militar;
c) c) a China era governada por uma dinastia sem apoio popular, obrigada, por isso mesmo, a concessões cada vez maiores ao Ocidente, incapaz de resistir à penetração das potências e, enquanto isso, o imperador japonês aglutinou em torno de si o apoio e entusiasmo da população.
Outras informações importantes
Os EUA também participaram ao tomar as Filipinas da Espanha em 1898 da corrida colonialista na Ásia..
O maior império colonial na Ásia era o inglês e compreendia, entre outros territórios, os atuais Paquistão, Índia, Bangladesh, Ceilão e Birmânia.
Em 1914, 60% das terra e 65% da população mundial dependiam da Europa. Suas potências tinham anexado 90% da África, 99% da Oceania e 56% da Ásia. Os maiores impérios coloniais eram o inglês e o francês com, respectivamente, 35 milhões e 11 milhões de quilômetros quadrados.
Na América Latina, o imperialismo se reverteu na forma da dependência financeira e comercial das novas nações às grandes potências, em especial a Inglaterra.
A estrutura colonial de exploração não foi mudada e os novos países contraíram empréstimos públicos e privados para construir e manter o estado, além de abrir as áreas de mineração, de operações financeiras, comércio de exportação e importação, transportes e serviços públicos ao capital financeiro estrangeiro.

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