sábado, 29 de setembro de 2007

2° reinado parte 1

EVOLUÇÃO ECONÔMICA
A agricultura de exportação:

O café foi o motor da economia no período. Chegou ao Rio de Janeiro em torno de 1760. Em 1820 começou a ganhar importância como produto de exportação. Em 1831 já aparecia como produto principal. Em 1840 teve o início de sua hegemonia na economia agro exportadora (41,4% da pauta de exportações). Em 1850 ocorreu o auge da produção no Vale do paraíba. Esta produção se baseava nas características tradicionais da grande lavoura no Brasil: latifúndio, mão de obra escrava, baixo nível tecnológico (enxada e foice) e utilizando caminhos e trilhas já conhecidos. Já em 1825 houve a expansão para São Paulo.
Em 1870 já ocorre a decadência da produção do café no Vale do Paraíba. Em 1880 ocorreu a expansão e consolidação da agricultura cafeeira no Oeste paulista. No Oeste Paulista a produção de café teve algumas características diferentes: existência de melhores condições geográficas (terra roxa, mais disponibilidade de terras e clima); melhor nível tecnológico (a partir de 1870 aparece o uso do arado e o uso do despolpador); ocorreu a transição para o trabalho imigrante (com a promulgação da Lei Eusébio de Queiróz, que estabelece o fim do tráfico negreiro) e formação de uma burguesia cafeeira (grandes fazendeiros dedicaram-se a outras atividades econômicas, como o comércio, bancos, indústrias, ferrovias).
Porém devemos destacar que a velha distinção entre o “velho” e o “novo”, não era tão profunda, pois em ambas as regiões se praticava a agricultura extensiva e se utilizava a mão-de-obra escrava.
O açúcar sofreu com o aumento da produção antilhana, com o açúcar de beterraba na Europa, com o fato dos EUA passarem a consumir o açúcar proveniente de Cuba, Porto Rico, do Havaí, como resultado da Guerra Hispano-americana de 1898.
Em 1875 ocorreu uma iniciativa governamental, calçada em empréstimos estrangeiros de recuperação desta produção através da instalação dos engenhos centrais ( sociedades anônimas) e das usinas.
O algodão tinha a concorrência da produção norte-americana que abastecia na maior parte da Inglaterra. A produção algodoeira floresceu durante o processo de independência dos Estados Unidos (1776-1783) e no período da Guerra de Secessão (1861-1865).

Modernização dos transportes e industrialização:

Foi no período do Segundo Reinado que ocorreu a primeira expansão de ferrovias no país. Esta expansão se deu vinculada aos principais centros produtores para a exportação, para garantir a rapidez no fluxo de entrada e saída de produtos e ocorreu graças a disponibilidade de capitais estrangeiros (ingleses).
No nordeste as ferrovias se concentraram em Pernambuco ( Recife – São Francisco com início em 1855, na década de 1880 construiu-se a Great Western, todas de capital inglês). No sudeste, em particular no Rio de Janeiro, tivemos a primeira ferrovia construída pelo Barão de Mauá inaugurada em 1854 no percurso de Mauá a Serra da Estrela. Em seguida temos o início da estrada de ferro D. Pedro II (depois Central do Brasil) em 1855, com trechos sucessivos até Cachoeira em São Paulo, em 1875. Foi construída com capitais ingleses, recursos governamentais e nacionais particulares.
Em São Paulo a estrada de ferro de Santos a Jundiaí construída por uma companhia concessionária inglesa a São Paulo Railway Co Limited começou a funcionar em 1868. A partir daí surgiu, em primeiro lugar, a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, organizada com capital brasileiro ligado ao café, seguiram-se a Mogiana, Ituana e a Sorocabana, esta última construída para escoar a produção algodoeira.
No período entre as décadas de 1840 a 1860, ocorreu no Brasil um surto de industrialização, que acabou por ficar conhecido como a Era Mauá, em função do seu principal representante, Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá. Este surto tem haver com alguns fatos e processos, em primeiro lugar neste período o Brasil começa a Ter uma maior liberdade em relação à Inglaterra devido ao fato que as receitas de exportação passam a vir de outros países (EUA, Alemanha, Países Baixo, Escandinávia, etc), com os quais tem um saldo favorável. Um reflexo disso foi que em 1842 o governo brasileiro não renovou os Tratados de 1810 e 1826.
Em 1844 foram criadas as Tarifas Alves Branco, com o objetivo de melhorar as receitas e que teve como resultado um efeito protecionista. As tarifas sobem de 15% para 30 e 60%.
Em 1850, a Lei Eusébio de Queiróz acaba com o trafico negreiro, com isso libera capital para outras atividades, parte deste capital foi para o setor industrial.
Em 1860, as Tarifas Silva Ferraz reduziram as tarifas de produtos importados em função dos saldos da balança comercial e pela pressão dos cafeicultores e comerciantes ingleses.

O fim do tráfico e a Crise de Mão-de-obra:

Entre os motivos que levaram ao fim do tráfico negreiro existiram as pressões inglesas, que já vinham desde 1810. Os motivos para estas pressões eram a necessidade da economia inglesa da ampliação do mercado consumidor; o uso da mão-de-obra africana na própria África; a difusão dos conceitos liberais e o redirecionamento do capital de compra de cativos para a produção de artigos industrializados.
Os Tratados de 1826 já colocavam uma data limite para o fim do tráfico, março de 1830. Porém esta determinação não entrou em vigor. Os motivos para esta não execução foram: os traficantes não eram malvistos pelos setores dominantes; beneficiaram-se das medidas descentralizadoras da Regência (júris locais controlados pelos grandes proprietários absolviam os poucos acusados); não havia alternativa viável ao trabalho escravo e não havia rebeliões generalizadas, com a exceção de Salvador.
Em 1845, a Inglaterra implantou o Bill Aberdeen (ministro das relações exteriores do governo inglês), pelo qual aquele país se autorizava sua marinha a abordar, apreender e julgar envolvidos nos tribunais ingleses. Isto gerou um incremento da pressão inglesa com apreendimentos em alto mar, penetração em águas brasileiras, ameaça de bloqueio aos principais portos.
Em 1850, a guerra contra Rosas implica na necessidade pelo governo brasileiro de Ter o apoio inglês. Ao mesmo tempo, desde o final da década de 1840 o mercado brasileiro se encontrava abastecido, a hipoteca dos fazendeiros fluminenses de suas propriedades junto a grandes traficantes para conseguir recursos destinados à compra de escravos tinha auxiliado na divisão entre estes dois segmentos e, por último, também colaborou para a decisão final o reforço do governo central.
Diante das expectativas colocadas a partir do fim do tráfico e de sua eventual substituição, algumas respostas começam a ser dadas. Uma delas foi, também de 1850, a Lei de Terras determinou que, no futuro, as terras públicas seriam vendidas e não doadas, estabeleceu normas para legalizar a posse das terras, procurou forçar o registro das propriedade e determinou que as terras públicas deveriam ser vendidas por um preço elevado par impedir o acesso à terra aos futuros imigrantes ou posseiros.
Num primeiro momento o suprimento de escravos para a área mais dinâmica, o sudeste cafeeiro, se deu através do tráfico interprovincial (das áreas decadentes do nordeste para o sudeste) e intraclasses ( dos proprietários mais empobrecidos para os mais abastados). Estima-se que entre 1850 e 1888 de cem a duzentos mil escravos foram deslocados de zonas açucareiras do nordeste para o centro-sul. Em 1874 já de detectava um declínio da população escrava em toda as regiões do país, tal tendência acentuou-se a partir de 1885.

A substituição de mão-de-obra

Foi em São Paulo que iniciou-se a opção pela substituição da mão-de-obra escrava pela do imigrante europeu. Pesaram para isso vários motivos. Em primeiro lugar o preconceito dos grandes fazendeiros dificultava ou impedia que eles imaginassem a hipótese de mudança de regime de trabalho da massa escrava; por outro lado, era duvidoso que os escravos estariam dispostos a aceitar uma situação que não seria muito diferente da que viviam. Além disso, o momento em que estava acontecendo esta crise foi o momento das argumentações racistas a partir de autores como Buckle e Gobineau, as quais desvalorizava não só os negros como também os mestiços. Outro motivo foi que os senhores de engenho e plantadores de algodão do Nordeste não aceitariam transferir o restante de suas forças de trabalho par o Sudeste.
Em 1847 o senador Vergueiro iniciou a primeira experiência, através de recursos do governo imperial trouxe imigrantes alemães e suíços no regime de parceria para suas fazendas e outras do Oeste Paulista.
A experiência resultou em vários conflitos, que explodiriam em uma revolta na fazenda Ibicaba em 1856.
Em 1871, coincidindo com a Lei do Ventre Livre, teve início a imigração subvencionada pelo governo de São Paulo. Até os primeiros anos de 1880 a entrada foi pequena.
A partir de 1886 houve um investimento na propaganda em virtude do aceleramento do processo de emancipação dos escravos ( 1885 – Lei dos Sexagenários). Auxiliou também para este incremento o processo de unificação italiana e as transformações capitalistas neste país.

Um comentário:

Unknown disse...

nossa tirei 10 nesse trabalho muito
bom aeew gentee podee confiar !